A child said What is the grass? fetching it to me with full hands;
How could I answer the child? I do not know what it is any more than he.
(Walt Whitman)
Explica-me Deus, pediu a criança. E eu fiquei ali, a olhar para ela, pensativo, sem saber o que dizer. Deus não se explica, pensei. Nem mesmo às crianças. Mas não tinha escapatória. Ela continuava ali, imóvel, atenta, à espera que eu me decidisse a começar. Seria milagre se de tanto eu fosse capaz. De explicar Deus finalmente às crianças. Bom, ao menos a uma. Mas como é que se explica Deus a uma criança, se os próprios adultos não se entendem sobre o que Deus seja. E matam-se entre si porque um acha que Deus é gordo e outro que é magro. E afinal seria melhor, antes de apressadamente pegar em armas, falar com Deus. E se fosse gordo, aconselhar-lhe uma dieta. E sendo magro, convencê-lo a comer mais.
Deus é invisível, não é? Pergunta-me a criança. E eu volto à terra e caio em mim. Afinal pouco importa se Deus é magro ou gordo, se não o podemos ver.
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