A Física moderna leva-nos necessariamente a Deus.
quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
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Rita
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orações e difamações
domingo, 13 de Janeiro de 2008
Sade & Dawkins
(...)
Mas com que direito pretende submeter-me
Ao seu erro aquele que a mentira escraviza?
Necessitarei acaso do Deus que abjura
A minha razão para aceitar as leis da natureza?
Nela tudo se move, e o seu seio criador
Age continuamente sem ajuda de um motor.
Que ganharia eu com essa dificuldade?
Demonstrará esse Deus a causa do Universo?
Se cria, foi criado e eis-me de novo incerto
Como antes de recorrer a ele.
Foge, foge para longe, impostura infernal;
Cede, desaparecendo, às leis da natureza:
Ela faz tudo por si própria, tu não passas do vazio
Onde a sua mão nos foi buscar quando nos criou.
Some-te pois, execrável quimera!
Foge para longe, abandona a terra,
Onde não encontrarás senão corações empedernidos
Pela algarviada mentirosa dos teus míseros amigos!
Quanto a mim, confesso, o ódio que te tenho
É ao mesmo tempo tão certo, tão grande e tão forte
Que seria com prazer, Deus vil, e sem pressas,
Que me masturbaria sobre a tua divindade,
Ou enrabar-te-ia, se a tua frágil existência
Pudesse oferecer um cu à minha incontinência.
Depois, arrancar-te-ia com força o coração
Para melhor te compenetrares do meu profundo horror-
Mas seria em vão que procuraria atingir-te,
A tua essência escapa a quem a quer coagir.
Não podendo esmagar-te, pelo menos entre os mortais,
Gostaria de destruir os teus perigosos altares
E demonstrar àqueles que um Deus ainda cativa
Que esse aborto cobarde que a sua fraqueza adora
Não pode pôr termo às suas paixões.
(...)
Marquês de Sade in A Verdade, 1787
De um para outro autómato, a verdade segundo Richard Dawkins.
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jmnk
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orações e difamações
segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Ditos e reditos
Nessas conversas, quando eu era menina, era usual ouvir a minha avó dizer, a propósito de certos factos da vida, a frase: "Deus não dorme!". Que factos eram esses, qual a sua importância e dimensão, era coisa que eu desconhecia. Ficava-me a imagem desse ser estranho, assustador, capaz de coisas únicas como, por exemplo, não dormir.
Já mais crescida supus entender a existência de uma verdade e justiça universais, das quais esse Deus era fiel guardião. O medo não desapareceu, mas a ele veio juntar-se um incómodo sentimento de culpa que me fazia sentir-me feia, sempre que fazia ou desejava algo que Ele parecia não aprovar. E digo parecia porque, na minha infância, jogava-se um jogo estranho, do tipo dizer as regras sem explicar porquê. Nunca entendi bem esse jogo e duvido que os adultos o entendessem também, já que eles próprios faziam coisas bem diferentes daquelas que não se abstinham de afirmar.
Conhecer Deus assim é feio, cruel e redutor; não é de espantar, pois, que na adolescência eu não me cansasse de tentar aborrecer a minha mãe, afirmando-lhe, por tudo e por nada, que não acreditava em Deus. Como nasci numa família de tradição católica, acabei mesmo por conseguir criar algumas situações de tensão e conflito, nada úteis para mim, uma vez que continuei a não ouvir qualquer explicação que me fizesse sentido como, por exemplo, a referência à palavra Amor.
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Rita
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23:58
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orações e difamações
Da (in)visibilidade do homem
Encantação para se ficar invisível
Invoco-te só a ti
tu, que foste o único que tudo organizou
No mundo para os deuses e homens.
Tu, que te metamorfoseaste em formas santas
e do nada obtiveste o ser e do ser o nada.
Thayth santo, do qual não houve nenhum deus
capaz de ver o teu rosto verdadeiro,
faz com que aos olhos de todas as criaturas
eu me transforme em lobo, cão, leão, fogo, lebre,
árvore, abutre, muro, água (o que quiseres)
pois tu tens o poder.
(Dos Gregos e Romanos, in A Oração dos Homens, p. 335 - Assírio & Alvim, 2006)
E daqui se promete visibilidade ao invisível.
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jmnk
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22:21
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Da (in)visibilidade de Deus
A child said What is the grass? fetching it to me with full hands;
How could I answer the child? I do not know what it is any more than he.
Explica-me Deus, pediu a criança. E eu fiquei ali, a olhar para ela, pensativo, sem saber o que dizer. Deus não se explica, pensei. Nem mesmo às crianças. Mas não tinha escapatória. Ela continuava ali, imóvel, atenta, à espera que eu me decidisse a começar. Seria milagre se de tanto eu fosse capaz. De explicar Deus finalmente às crianças. Bom, ao menos a uma. Mas como é que se explica Deus a uma criança, se os próprios adultos não se entendem sobre o que Deus seja. E matam-se entre si porque um acha que Deus é gordo e outro que é magro. E afinal seria melhor, antes de apressadamente pegar em armas, falar com Deus. E se fosse gordo, aconselhar-lhe uma dieta. E sendo magro, convencê-lo a comer mais.
Deus é invisível, não é? Pergunta-me a criança. E eu volto à terra e caio em mim. Afinal pouco importa se Deus é magro ou gordo, se não o podemos ver.
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jctp
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17:24
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