quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Pensamento religioso vs Pensamento científico

Para o pensamento religioso quanto mais antigo mais verdadeiro. Remontar às origens é remontar a uma verdade essencial, que ficou perdida algures lá atrás, no princípio dos princípios, ou no momento preciso da revelação verdadeira e, eventualmente, definitiva. A iluminação de Buda, a revelação de Jesus, a pregação de Maomé. Pelo contrário, na ciência, o antigo tende a ser ultrapassado. Einstein pode, sem dúvida, reconhecer que Newton tinha chegado tão longe quanto era possível no seu tempo, mas dificilmente, a não ser que saísse do discurso científico e passasse para o discurso religioso, poderia defender que Newton estava mais correcto do que ele, Einstein, apenas porque tinha surgido antes de Einstein. A verdade, em ciência, não é revelada por Newton nem por Einstein, pela simples razão de que em ciência a verdade não existe. Ou ao menos não existe com V grande, como acontece na religião. Claro que há muito do pensamento religioso que passou para a ciência, como existe muito do pensamento científico que já estava na religião. Não vale a pena ter ilusões em relação a isto. A ciência não instaura, ao contrário do que alguns quiseram crer, um maravilhoso mundo novo onde a verdade científica surge como uma Boa-Nova, uma nova revelação pronta a lançar a religião para o mundo obscuro da fantasia e da superstição. Tal ideia aliás transformaria a ciência numa nova religião e levaria a que esta acabasse por representar aquilo mesmo que se propunha substituir.

Aquilo de que precisamos, provavelmente, é de uma religião que se projecte no futuro e que ponha a hipótese, mesmo que frágil e provisória, de que tudo aquilo em que se acreditou no passado pudesse ser apenas erro, mentira e ilusão. E de uma ciência que não corte em absoluto com o passado, mas que aprenda a ver nos seus erros, mentiras e ilusões, o fundo de verdade, ou de ânsia para a verdade, que todas as tentativas humanas de esclarecer um assunto sempre contêm. Sem nenhuma cedência ao obscurantismo, precisamos de uma ciência aberta; e sem nenhuma cedência às verdades do momento, ainda que oriundas da ciência, precisamos de uma religião desperta. Sem falsos dogmatismos nem irracionais arrogâncias. A religião só pode iluminar a ciência na exacta medida em que a ciência a pode esclarecer. Se as verdades de hoje são as ilusões de amanhã, as ilusões de ontem não podem ser as verdades de hoje.

domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Sabores Divinos I


Pão de Deus

Ingredientes

Para a massa

* 500 grs de farinha
* 150 grs de açúcar
* 2 ovos
* 30 grs de fermento de padeiro
* 100 grs de manteiga
* 1 dl de leite morno
* raspa e sumo de 1/2 laranja

Para cobrir
* 1 ovo
* 80 grs de coco ralado
* 2 colheres de sopa de açúcar
* açúcar em pó q.b.

Confecção

Coloque a farinha sobre a mesa e faça uma cova no centro.
Ponha na cova o fermento e amasse com o leite morno e farinha (pouca), faça uma bola e deixe levedar.
Retire a bola de fermento do centro da farinha, e deite a manteiga o açúcar e a raspa e sumo da laranja, amasse tudo à mão muito bem.
Adicione os ovos um a um , amassando sempre e por fim o fermento envolvendo bem e amasse, batendo, cortando a massa até ficar elástica.
Vá polvilhando com farinha necessária até a massa descolar da mesa.
Esta massa deve ficar macia e mole, tal como a massa do pão.
Põe-se a massa num alguidar, tapa-se com um pano e deixa-se levedar em local temperado até duplicar de volume.
Depois de levedada a massa, ponha novamente na mesa polvilhe com farinha dê o feitio de uma bola ou várias bolas, coloque num tabuleiro bem untado com margarina e polvilhado com farinha.
Deixe levedar novamente até duplicar de volume.
Depois de duplicar, pincele ao de leve com gema de ovo e com jeito e cuidado para que a massa leveda não baixe ponha a massa de coco que entretanto preparou: misturando o coco ralado com o açúcar e a clara de ovo e mexa até formar uma papa.
Leve a cozer em forno médio durante 35 minutos.
Convém verificar com um palito se está cozido.
Retire do forno, e do tabuleiro, e polvilhe com açúcar em pó.

(receita de Felicia Sampaio in Roteiro Gastronómico de Portugal)


Em vão procurei saber a origem do nome deste bolo, sem que tivesse tido qualquer êxito; julguei que pudesse estar ligada à celebração do dia de Todos-os-Santos e à tradição de as crianças sairem à rua para pedirem pão-por-deus; novamente me enganei; nesse dia o doce é outro e toma o nome de Santoro; publicarei mais sobre esta tradição no próximo Sabores Divinos. Entretanto, se alguém souber alguma coisa sobre a origem deste bolo é muito bem vindo!